Posts Tagueados ‘Espinosa’
Resumo de Matheron, Alexandre. Individu et communauté chez Spinoza. Éditions de Minuit. 1988
3. Fundamentos da vida passional interhumana
- prop 28: Espinosa afirma que é da natureza humana o esforço em imaginar e aproximar-se da produção daquilo que é causa de alegria e de afastar-se ou destruir aquilo que é causa de tristeza. Proposição que conduz diretamente às definições de amor e ódio e que, para Matheron (1988), consiste na apresentação de uma Teoria da Passagem ao Ato, onde o estudo sobre a experiência afetiva individual desloca-se à vida interhumana.
- “o indivíduo jamais está só, mesmo no estado de natureza. A rigor, podemos imaginar solitariamente; mas, desde que o pensamento ser anime a passar aos atos, nossos projetos de chocam com os outros projetos humanos com os quais eles devem compor e se compor” (p. 151)
- prop 27: fundamento das relações interhumanas
- Hobbes: passagem da afetividade simples, individual, à complexa, interhumana, se dá pelo cálculo racional do porvir, que transforma o instinto de conservação em vontade de potência (p. 152). Antecipar-se é buscar não só viver, mas viver o máximo de tempo possível, não só satisfazer nosso desejo presente mas garantir o caminho de nosso desejo futuro. “A potência de um homem é precisamente o conjunto de meios que ele dispõe hoje para obter algum bem aparente futuro (…) Mas a melhor de todas as garantias sobre o futuro é, claro, que devemos concorrer com nossos semelhantes” (p. 152). “Aspiramos, assim, insaciavelmente, a dominar os outros homens, afim de lhes manter disponíveis para uma eventual utilização futura” (p. 153)
- Espinosa X Hobbes: “Sobre o plano da descrição, Espinosa está quase de acordo com o áspero realismo de Hobbes” (p. 153). Contudo, Espinosa chega em outros resultados ao problema da relação humana pela adoção do princípio da imitação dos sentimentos de outrem, devido à semelhança dos outros conosco, isto é, a propriedade que eles partilham conosco em serem homens. (p. 154)
- Imitação do afeto: Imaginar os sentimentos de um ser semelhante a nós é experimenta-los. Se imaginamos a alegria ou a tristeza de um homem, os movimentos que em nosso corpo constituem esta imagem são os movimentos de um homem alegre ou triste
- Comunidade: “Do fato que os homens se assemelham, a Humanidade tende a existir; e a imitação dos desejos de outrem,ou emulação, pode ser considerada como o conatus global desta comunidade humana que se procura.” (p. 155)
Resumo: Enredar – “A arte de organizar encontros”
§ redes de Comunicação Mediadas por Computador -> novo imaginário construído pelo comum
§ estética contemporânea, gestada com base na rede estabelecida por afetos
§ fluxos de desejos emergem, organizam e transformam nossa experiência,
§ “A democracia espinosista, o governo absoluto da multidão através da igualdade de seus membros constituintes, é fundada na ‘arte de organizar encontros”’ (Hardt,1996, p.170).
§ Enredados: “todos os que cotidianamente utilizam-se das novas tecnologias de comunicação e informação com a vontade de construir uma estética, um outro modo de existir com base no afeto.” (p. 1)
§ Produção do Comum “gestação de um novo poder, onde todos podem distribuir suas informações, potencializar seus desejos.”
§ Máquina comunicativa: “o político e a comunicação articulam seus procedimentos em um único dispositivo sistêmico que atravessa as dimensões sociais e imateriais do capitalismo avançado, dado que se determina na produção de sentido para um mercado com contornos da própria sociedade. Trata-se da nova máquina comunicativa a serviço da produção do social, trata-se de fazer “fluir os fluxos” (Lazzarato e Negri, 2001) que legitimam alguns e excluem outros.” (p. 2)
§ Comum e Subjetividade: “Por trás de identidades e diferenças pode existir um comum entendido como proliferação de atividades criativas. Este conceito de comum está na definição de multidão, como reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política. O comum produzido pela multidão é trabalho coletivo e como tal não reconhece unidade representativa.” (p. 3)
§ Confabulação: a partir do conceito bergsoniano de fabulação. Resgatado por Deleuze (em entrevista com Antonio Negri – Hardt, 1996) em uma acepção política.
§ Novas Tecnologias e multidão: “A sociedade amplamente permeada por redes tecnológicas inaugura a possibilidade de construir, inclusive em nós mesmo, outros modos de fazer-se, de transformar-se. A multiplicidade de forças criativas é elevada a um nível de alto poder na constituição da multidão. As novas tecnologias são o lugar da multidão, onde ela expressa a sua força, seu poder de criar e agir, onde estabelece sua ética e a estética contemporânea.” (p. 5)
§ Comum e resistência: “O comum visto como cooperação, singularidades proliferantes, produção de sujeitos éticos que se produzem no tempo excedente, encontra sua contrapartida no controle, na guerra ao domínio e bloqueio desta transformação” (p.
§ Narrativa e Subjetividade: “Emerge assim a possibilidade de resgate da narrativa. Ver e contar estórias e pequenas impressões no tempo em que a vida se dá, nos instantes por si mesmos sem aprisioná-los.” (p.
Resumo: Negri, A. (1993). A Anomalia Selvagem: poder e potência em Spinoza. Rio de Janeiro: Ed. 34.
PREFÁCIO de Alexandre Matheron
- Tratado Político: “constituição, a partir dos conatus individuais, desse conatus coletivo a que ele chama “potência da multitudo”. E isso sempre de acordo com o mesmo princípio: primado da força produtiva sobre as relações de produção. A sociedade política não é uma ordem imposta do exterior aos desejos individuais; tampouco é consituída por um contrato, por uma transferência de direitos da qual resultaria uma obrigação transcendente. Ela é a resultante quase mecânica (não dialética) das interações entre as potências individuais que, ao se comporem, tornam-se potência coletiva” (p. 17)
Resumo: Hardt, M. & Negri, A. (2005). Multidão. Rio de Janeiro: Record (Pt. II)
- Potência da multidão: “A carne da multidão é puro potencial, uma força informe de vida, e neste sentido um elemento do ser social, constantemente voltado para a plenitude da vida” (p. 251)
- Monstruosidade: Hardt e Negri deixam claro que esta carne da multidão, em sua potência indefinida, tornou-se alvo, ao longo da passagem do modernismo ao pós-modernismo, de um processo de monstrificação. “O informe e o desordenado são assustadores. A monstruosidade da carne não é um retorno ao estado natural, mas um resultado da sociedade, uma vida artificial. Na época anterior, os corpos sociais modernos e a ordem social moderna preservavam, pelo menos ideologicamente, apesar da constante inovação, um caráter natural – por exemplo, as identidade naturais da família, da comunidade, do povo e da nação (…) Qualquer referência à vida hoje, no entanto, deve apontar para uma vida artificial, uma vida social” (p. 251-252)
- Spinoza: “Mais uma vez, é Spinoza quem mais claramente prevê essa natureza monstruosa da multidão, concebendo a vida como uma tapeçaria na qual as paixões singulares tecem uma capacidade incomum de transformação, do desejo ao amor e da carne ao corpo divino (…) Spinoza mostra-nos como podemos hoje, na pós-modernidade, reconhecer essas metamorfoses monstruosas da carne não só como um perigo, mas também como uma possibilidade, a possibilidade de criar uma sociedade alternativa” (p. 253)
- Produção do comum: “Vimos que a carne da multidão produz em comum de uma maneira que é monstruosa e sempre ultrapassa a medida de quaisquer corpos sociais tradicionais, mas essa carne produtiva não cria caos e desordem social. O que ela produz, na realidade, é comum, e o comum que compartilhamos serve de base para a produção futura, numa relação expansiva em espiral. (…) Hoje essa relação dual entre a produção e o comum – o comum é produzido e também é produtivo – é a chave para entender toda atividade social e econômica’ (p. 257)
- Comunidade: “A palavra comunidade frequentemente é usada para se referir a uma unidade moral que se posiciona acima da população e de suas interações, como um poder soberano. O comum não se refere a noções tradicionais da comunidade ou do público; baseia-se na comunicação entre singularidades e se manifesta através dos processos sociais colaborativos da produção. Enquanto o individual se dissolve na unidade da comunicação no comum, as singularidades não se vêem tolhidas, expressando-se livremente no comum” (p. 266)
“Em suma, o comum assinala uma nova forma de soberania, uma soberania democrática (ou, mais precisamente, uma forma de organização social que desloca a soberania) na qual as singularidades sociais controlam através de sua própria atividade biopolítica aqueles bens e serviços que permitem a reprodução da própria multidão” (p. 268)
Resumo: Hardt, M. & Negri, A. (2005). Multidão. Rio de Janeiro: Record.
- Estado e propriedade: “Uma das tarefas fundamentais do Estado forte é a proteção da propriedade privada (…) toda propriedade privada sempre precisou de proteção policial, mas no paradigma da produção imaterial verifica-se uma expansão da propriedade imaterial, que é ainda mais volátil e incontrolável, apresentando novos problemas de segurança. À medida que se torna etérea, a propriedade tende a se esquivar ao controle de todos os mecanismos existentes de proteção, exigindo maior emprenho de proteção por parte da autoridade soberana (…) Os programas de computador e os bancos de dados, por exemplo, tornam-se vulneráveis à destruição e corrupção por causa da interligação generalizada dos sistemas de computador” (p. 233-234)
- Reprodução: “Um problema de segurança mais grave que a destruição ou corrupção de propriedade imaterial através das conexões é a reprodutibilidade, que não ameaça a propriedade em si, mas simplesmente destrói seu caráter privado (…) Naturalmente, a reprodução é muito diferente das formas tradicionais de roubo, pois a propriedade original não é tomada de seu proprietário; simplesmente passa a haver mais propriedade para alguém mais (…) O caso da Napster constitui um exemplo interessante porque coloca a questão da reprodução de uma forma social” (p. 234-235)
- Trabalho imaterial, propriedade e cooperação: “Existe com efeito uma relação necessária entre o fato de que o trabalho humano no terreno da produção imaterial cada vez mais produz diretamente formas de vida e de conhecimento que se tornam propriedade privada (…) Em todo este campo da produção imaterial, entretanto, o direito à propriedade é solapado pela mesma lógica que o sustenta, pois o trabalho que cria propriedade não pode ser identificado com qualquer indivíduo nem mesmo qualquer grupo de indivíduos. O trabalho imaterial torna-se cada vez mais uma atividade comum caracterizada pela cooperação contínua entre inúmeros produtores individuais (…) Este tipo de conhecimento sempre é produzido em colaboração e comunicação, através do trabalho em comum no interior de redes sociais expansivas e indefinidas (…) Segundo John Locke, o trabalho que cria propriedade privada é uma extensão do corpo, mas nos dias de hoje esse corpo é cada vez mais comum” (p. 243)
2.3 OS RASTROS DA MULTIDÃO
- Definição: “a carne produtiva comum da multidão adquiriu a forma do corpo político global do capital, dividido geograficamente por hierarquias de trabalho e riqueza e governado por uma estrutura multinivelada de poderes econômicos, jurídicos e políticos” (p. 247)
- Produção da subjetividade e Produção do comum: “Nossa tarefa agora consiste em investigar a possibilidade de que a carne produtiva da multidão venha se organizar de outra maneira e descobrir uma alternativa para o corpo político global do capital. Nosso ponto de partidas é o reconhecimento de que a produção de subjetividade e a produção do comum podem formar, juntas, uma relação simbiótica em forma de espiral. Em outras palavras, a subjetividade é produzida através da cooperação e da comunicação, e por sua vez esta subjetividade produzida vem a produzir novas formas de cooperação e comunicação, que por sua vez produzem nova subjetividade, e assim por diante.
- Corpo comum, corpo democrático – Espinosa (Ética II, prop 13, 1) “e no entanto essa multidão de multidões é capaz de agir em comum como um corpo único)