Daniel Avila

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Resumo de Matheron, Alexandre. Individu et communauté chez Spinoza. Éditions de Minuit. 1988

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3. Fundamentos da vida passional interhumana

  • prop 28: Espinosa afirma que é da natureza humana o esforço em imaginar e aproximar-se da produção daquilo que é causa de alegria e de afastar-se ou destruir aquilo que é causa de tristeza. Proposição que conduz diretamente às definições de amor e ódio e que, para Matheron (1988), consiste na apresentação de uma Teoria da Passagem ao Ato, onde o estudo sobre a experiência afetiva individual desloca-se à vida interhumana.

  • “o indivíduo jamais está só, mesmo no estado de natureza. A rigor, podemos imaginar solitariamente; mas, desde que o pensamento ser anime a passar aos atos, nossos projetos de chocam com os outros projetos humanos com os quais eles devem compor e se compor” (p. 151)

  • prop 27: fundamento das relações interhumanas

  • Hobbes: passagem da afetividade simples, individual, à complexa, interhumana, se dá pelo cálculo racional do porvir, que transforma o instinto de conservação em vontade de potência (p. 152). Antecipar-se é buscar não só viver, mas viver o máximo de tempo possível, não só satisfazer nosso desejo presente mas garantir o caminho de nosso desejo futuro. “A potência de um homem é precisamente o conjunto de meios que ele dispõe hoje para obter algum bem aparente futuro (…) Mas a melhor de todas as garantias sobre o futuro é, claro, que devemos concorrer com nossos semelhantes” (p. 152). “Aspiramos, assim, insaciavelmente, a dominar os outros homens, afim de lhes manter disponíveis para uma eventual utilização futura” (p. 153)

  • Espinosa X Hobbes: “Sobre o plano da descrição, Espinosa está quase de acordo com o áspero realismo de Hobbes” (p. 153). Contudo, Espinosa chega em outros resultados ao problema da relação humana pela adoção do princípio da imitação dos sentimentos de outrem, devido à semelhança dos outros conosco, isto é, a propriedade que eles partilham conosco em serem homens. (p. 154)

  • Imitação do afeto: Imaginar os sentimentos de um ser semelhante a nós é experimenta-los. Se imaginamos a alegria ou a tristeza de um homem, os movimentos que em nosso corpo constituem esta imagem são os movimentos de um homem alegre ou triste

  • Comunidade: “Do fato que os homens se assemelham, a Humanidade tende a existir; e a imitação dos desejos de outrem,ou emulação, pode ser considerada como o conatus global desta comunidade humana que se procura.” (p. 155)

Escrito por danielavila

1 01UTC Abril 01UTC 2009 em 18:23

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Resumo: Paolo Virno. Gramática da multidão.

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· Espinosa. “Para Espinosa, a multidão representa uma pluralidade que persiste como tal na cena pública, na ação coletiva, na atenção dos assuntos comuns, sem convergir no Uno, sem evaporar-se em um movimento centrípeto. A multidão é a forma de existência política e social dos muitos enquanto muitos: forma permanente,não episódica nem intersticial. Para Espinosa, a multitudo (multidão) é a arquitrave das liberdades civis” (p. 2)

· Multidão e povo diferem-se, segundo as concepções de Espinosa (1677) e Hobbes (1651), respectivamente, por suas relações específicas com o Estado. O povo é uma multiplicidade que adota, ou pode ser constrangida sob o poder do Estado a adotar, uma vontade comum e converte-se em uma unidade às custas das singularidades. Já a multidão, com sua recusa em submeter-se ao poder do soberano, conserva sua multiplicidade e singularidades individuais permanecendo à margem das tentativas de unidade, redeterminando-as.

· Público X Privado: “’Privado’ não significa somente algo pessoal, atinente à interioridade de tal ou qual; privado significa, antes de tudo, privo: privado de voz, privado de presença pública. No pensamento liberal a multidão sobrevive como dimensão privada. Os muitos estão despojados e afastados da esfera dos assuntos comuns” (p. 3)

· Redeterminação da unidade: “A multidão contemporânea não está composta nem de ‘cidadãos’ nem de ‘produtores’; ocupa uma região intermediária entre ‘individual’ e ‘coletivo’; e por isso já não é válida, de modo algum, a distinção entre ‘público’ e ‘privado’” (p.4). A unidade da multidão já não é mais o soberano ou o Estado, mas aquilo que lhe é comum: a linguagem, o intelecto, os afetos. Para Virno (p. 4), a unidade que para o povo representava um ponto de convergência a ser alcançado, isto é, o Estado, no caso da multidão passa a ser um pressuposto ou um pano de fundo.

· Princípio de Individuação: “a multidão consiste em uma rede de indivíduos; os

muitos são numerosas singularidades ” (p. 27)

· “O ponto decisivo é considerar estas singularidades como um ponto de chegada, não como um dado desde o qual partir; como o resultado final de um processo de individuação” (p. 27)

· Realidade pré-individual: comum, universal, indiferenciado

· Individualidade: “o fruto final de uma individuação que provém do universal, do genérico, do pré-individual” (p. 27)

· Simondon (2 teses)

· I. ”o sujeito consiste na trama permanente de elementos pré-individuais e aspectos individuados; isto é: é esta trama” (p. 28)

o Mas esta convivência do eu “individuado” com o fundo de aspectos pré-individuais não é sempre pacífica. “Ao contrário, dá lugar a crises de diversos gêneros. O sujeito é um campo de batalha. Não é estranho que os aspectos pré-individuais pareçam questionar a individuação: que esta última mostre-se como um resultado precário, sempre reversível.” (p. 29)

o Afetividade e individuação: À relação conflituosa entre os aspectos individuados e pré-individuais corresponde uma “oscilação que, de forma contida, nunca está de todo ausente. Desta oscilação são testemunhas perspícuas, segundo Simondon, os afetos e as paixões. A relação entre pré-individuais e individuados é, de fato, mediada pelos afetos.” (p. 29)

· II. “o coletivo, a experiência coletiva, a vida de grupo, não é, como se pode acreditar, o âmbito no qual se moderam e diminuem os traços sobressalentes do indivíduo singular, mas ao contrário, é o terreno de uma nova individuação, ainda mais radical. Na participação em um coletivo, o sujeito, longe de renunciar aos seus traços mais peculiares, tem a ocasião de individuar, ao menos em parte, a cota de realidade pré-individual que leva sempre consigo” (p. 29). Este argumento apresenta um desfecho na relação entre povo e multidão já que o coletivo não é o lugar de formação de uma “vontade geral” e da conformação ao poder do Estado. O coletivo, sob o ponto de vista da multidão, funda a possibilidade de uma democracia radical e não-representativa enquanto individuação dos aspectos sócio-históricos pré-individuais. “Os ‘muitos’ persistem como ‘muitos’, sem aspirar à unidade estatal, porque: 1) quanto à singularidade individuada carregam já sobre suas costas a unidade/universalidade inerente às diversas espécies de pré-individuais; 2) em suas ações coletivas acentuam e perseguem o processo de individuação” (p. 29)

· Virno (p. 30), adotando um termo cunhado por Marx, “sujeito social”, define a multidão como o conjunto de indivíduos sócias, entendendo social como pré-individual

· Duas qualidades da multidão (analisados por Heidegger em Ser e Tempo)

· Tagarelice: “um discurso sem estrutura óssea, indiferente ao conteúdo que cada tanto aflora, contagioso e extensivo” (p. 35)

· Curiosidade: “a insaciável voracidade pelo novo enquanto novo” (p. 35)

· Ao contrário de Heidegger, que considera a tagarelice e a curiosidade como típicas manifestações da vida “inautêntica”, desvirtuada e ociosa, nivelada em seu sentimento e compreensão, Virno julga que ambas dão mostra da potência do pré-individual na constituição do indivíduo.

· Tagarelice: “Comecemos pela tagarelice. Ela testemunha o papel preeminente da comunicação social, sua independência de todo vínculo ou pressuposto, sua plena autonomia. Autonomia de objetivos pré-definidos, de empregos circunscritos, da obrigação de reproduzir fielmente a realidade. Na tagarelice diminui teatralmente a correspondência denotativa entre palavras e coisas. O discurso não mais requer uma legitimação externa, buscada desde os eventos sobre os quais versa. Ele mesmo constitui agora um evento em si, consistente, que se justifica só pelo fato de ocorrer” (p. 36)

· Curiosidade: “para Benjamin [A obra de arte na época da sua reprodutibilidade técnica], a curiosidade enquanto aproximação ao mundo, amplia e enriquece a capacidade perceptiva humana. O olhar móvel do curioso, realizado mediante os mass media, não se limita a receber passivamente um espetáculo dado, mas, ao contrário, decide todas as vezes que coisa ver, que coisa merece colocar-se em primeiro plano e que coisa deve permanecer ao fundo. Os meios exercitam os sentidos à considerar o conhecido como se fosse ignorado, isto é, a vislumbrar uma ‘margem de liberdade enorme e imprevista’ inclusive naqueles aspectos mais trilhados e repetitivos da experiência cotidiana. Mas,ao mesmo tempo,exercitam os sentidos também para a tarefa oposta: considerar o ignoto como se fosse conhecido, adquirir familiaridade com o insólito e surpreendente, habituar-se à carência de costumes sólidos.” (p. 37)

· “Outra analogia significativa. Tanto para Heidegger como para Benjamin, o curioso está permanentemente distraído. Ele olha, aprende, experimenta todas as coisas, mas sem prestar atenção. Também neste tema o juízo de ambos os autores é divergente. Para Heidegger a distração, correlacionada com a curiosidade, é a prova evidente de um desenraizamento total e ausência de autenticidade. Distraído é quem sempre persegue possibilidades distintas mas equivalentes e intercambiáveis (…). Pelo contrário, Benjamin elogia explicitamente à distração, percebendo nela o modo mais eficaz de receber uma experiência artificial, construída tecnicamente.” (p. 38)

Referências

Espinosa, B. (1677). Tratado político.

Hobbes, T. (1651). Leviatã.

Escrito por danielavila

27 27UTC Março 27UTC 2009 em 20:17

Resumo: Enredar – “A arte de organizar encontros”

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§ redes de Comunicação Mediadas por Computador -> novo imaginário construído pelo comum

§ estética contemporânea, gestada com base na rede estabelecida por afetos

§ fluxos de desejos emergem, organizam e transformam nossa experiência,

§ “A democracia espinosista, o governo absoluto da multidão através da igualdade de seus membros constituintes, é fundada na ‘arte de organizar encontros”’ (Hardt,1996, p.170).

§ Enredados: “todos os que cotidianamente utilizam-se das novas tecnologias de comunicação e informação com a vontade de construir uma estética, um outro modo de existir com base no afeto.” (p. 1)

§ Produção do Comum gestação de um novo poder, onde todos podem distribuir suas informações, potencializar seus desejos.”

§ Máquina comunicativa: “o político e a comunicação articulam seus procedimentos em um único dispositivo sistêmico que atravessa as dimensões sociais e imateriais do capitalismo avançado, dado que se determina na produção de sentido para um mercado com contornos da própria sociedade. Trata-se da nova máquina comunicativa a serviço da produção do social, trata-se de fazer “fluir os fluxos” (Lazzarato e Negri, 2001) que legitimam alguns e excluem outros.” (p. 2)

§ Comum e Subjetividade: “Por trás de identidades e diferenças pode existir um comum entendido como proliferação de atividades criativas. Este conceito de comum está na definição de multidão, como reconhecimento de uma nova configuração dos processos de organização de sujeitos democráticos capazes de expressar potência política. O comum produzido pela multidão é trabalho coletivo e como tal não reconhece unidade representativa.” (p. 3)

§ Confabulação: a partir do conceito bergsoniano de fabulação. Resgatado por Deleuze (em entrevista com Antonio Negri – Hardt, 1996) em uma acepção política.

§ Novas Tecnologias e multidão: “A sociedade amplamente permeada por redes tecnológicas inaugura a possibilidade de construir, inclusive em nós mesmo, outros modos de fazer-se, de transformar-se. A multiplicidade de forças criativas é elevada a um nível de alto poder na constituição da multidão. As novas tecnologias são o lugar da multidão, onde ela expressa a sua força, seu poder de criar e agir, onde estabelece sua ética e a estética contemporânea.” (p. 5)

§ Comum e resistência: O comum visto como cooperação, singularidades proliferantes, produção de sujeitos éticos que se produzem no tempo excedente, encontra sua contrapartida no controle, na guerra ao domínio e bloqueio desta transformação” (p. 8)

§ Narrativa e Subjetividade: “Emerge assim a possibilidade de resgate da narrativa. Ver e contar estórias e pequenas impressões no tempo em que a vida se dá, nos instantes por si mesmos sem aprisioná-los.” (p. 8)

Resumo: PRÁTICAS POLÍTICAS E CIDADANIA NO SITE DE RELACIONAMENTO ORKUT: Individualismo e auto-afirmação nas comunidades virtuais – Márcia Vidal Nunes & André Gurjão

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  • Hipótese: “O site de relacionamento orkut reflete uma nova forma de interação social virtual, onde as dimensões da identidade, da participação em comunidades e do exercício da cidadania passam por profundas redefinições (…) um exemplo, dentre vários, de um espaço onde se busca forjar essa identidade fluida e, ao mesmo tempo, através da inserção em comunidades, consolidar laços com outras pessoas que tenham interesses afins.” (p. 1)

  • Questão: “O site de relacionamento orkut usa a internet, para viabilizar ações que levem ao efetivo exercício da cidadania, contribuindo para a democratização dos meios de comunicação, ampliando a politização da população, a participação política e elevando o nível de consciência crítica das pessoas? Ou estes sites não teriam qualquer tipo de compromisso com a participação, o exercício da cidadania e a compreensão do individuo em torno do mundo que o cerca?” (p. 2)

  • Condições da Produção de Subjetividade: “No novo ethos da acumulação capitalista flexível, a identidade pessoal tem de ser plástica o suficiente (sem os retardamentos de natureza ética do self tradicional) para ajustar-se à veloz mutabilidade do mercado (de capitais, de idéias e profissões) e das tecnologias de trocas inter-humanas.” (p. 3)

  • Resultado é uma subjetividade pautada por uma identidade líquida: “Segundo BAUMAN (2003), a identidade deve continuar flexível e sempre passível de experimentação e mudança; deve ser o tipo de identidade “até nova ordem”. A realidade de desfazer-se de uma identidade no momento em que ela deixa de ser satisfatória, ou deixa de ser atraente pela competição com outras identidades mais sedutoras é muito mais importante do que o “realismo” da identidade buscada ou momentaneamente apropriada.” (p. 3)

  • Identidade e Democracia: “RAZIO (1999, p. 97) afirma que o processo de estrangulamento deliberado da democracia vem levando a uma fragmentação paulatina da sociedade. Com isto, vêm sendo destruídos dois fundamentos decisivos da democracia liberal, ou seja, o princípio do governo responsável e de um povo democrático com capacidade consensual. O resultado é uma democracia vazia e carente de sentido, como acontece ao conceito de cidadania. (…) Vivemos num mundo de democracias formais, não reais, onde mandam os investidores e os especuladores financeiros, não os governos.” (p. 5)

  • TICs e Democracia: “Para MOHME (1999:108), os meios de comunicação de massa devem contribuir para a democratização da comunicação, sendo os intermediários entre a cidadania e a classe política, canalizando, difundindo, multiplicando ou diminuindo determinadas opiniões. Outorgam e retiram a credibilidade a determinados líderes e formações políticas. Uma segunda tarefa em prol da democratização é permitir a expressão das opiniões do cidadão comum, de maneira que termine o círculo vicioso de opiniões e confirmações ou discrepâncias entre os membros da classe política que termina afastada cada vez mais dos interesses e inquietudes concretos da cidadania.” (p. 5)

  • Identidade e Orkut: “No orkut, o indivíduo é identificado a partir do perfil que ele mesmo apresenta de si. Parte da constituição desse perfil é dada por elementos pré-estabelecidos, sem dar liberdade para que a pessoa se auto-defina. Isso leva à construção de uma identidade “camisa de força” onde o indivíduo está muito mais preocupado em se enquadrar do que definir o que de fato é.

A formação da identidade por uma adesão ao modo pré-estabelecido de existir, definido na multiplicidade de opções delimitada pelo site, confere ao indivíduo a confortável sensação de aconchego, proteção e segurança,de fazer parte, momentaneamente, de uma comunidade, que vai aceitá-lo e amá-lo pelos simples fato dele ter-se “adequado” às regras pré-estabelecidas para sua inclusão.” (p. 7)

  • Exemplo: “Dentro da comunidade “Eu sou brasileiro” o participante é tomado pela mão, para assumir uma das primeiras identidades que lhe acompanha a vida toda (pertence-se a um território), mas também a de sentir um orgulho particular no lugar onde a comunidade não acessa.” (p. 10)

Escrito por danielavila

20 20UTC Março 20UTC 2009 em 20:12

Resumo: Comunicação, Cultura e Subjetividade – Prof. Dr. Márcio Souza Gonçalves

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  • “A comunicação está no centro da grande mutação que parece se operar na cultura contemporânea.” (p. 1)

  • Hipótese:precisamos operar uma distinção entre o conceito de sujeito, pensado pela filosofia, e as práticas de subjetivação, efetivadas por todos os humanos no que agenciam elementos oferecidos pelo social para construir um eu ou um si mesmo” (p. 1).

  • Comunicação e Subjetividade: “Esse novo sujeito ou essas novas formas de subjetividade seriam tributários, entre outras coisas, das novas tecnologias de comunicação, mais especificamente da Internet e dos computadores ligados em rede.” (p. 1)

  • Práticas de subjetivação (processos de constituição de si mesmo como sujeito): “Entendemos por práticas de subjetivação as práticas concretas de agenciamento de elementos heterogêneos disponibilizados pelo social no sentido de invenção de um eu ou de uma forma de si mesmo.” (p. 5)

Escrito por danielavila

20 20UTC Março 20UTC 2009 em 20:10

Resumo: Hardt, M. & Negri, A. (2005). Multidão. Rio de Janeiro: Record (Pt. II)

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- Potência da multidão: “A carne da multidão é puro potencial, uma força informe de vida, e neste sentido um elemento do ser social, constantemente voltado para a plenitude da vida” (p. 251)

- Monstruosidade: Hardt e Negri deixam claro que esta carne da multidão, em sua potência indefinida, tornou-se alvo, ao longo da passagem do modernismo ao pós-modernismo, de um processo de monstrificação. “O informe e o desordenado são assustadores. A monstruosidade da carne não é um retorno ao estado natural, mas um resultado da sociedade, uma vida artificial. Na época anterior, os corpos sociais modernos e a ordem social moderna preservavam, pelo menos ideologicamente, apesar da constante inovação, um caráter natural – por exemplo, as identidade naturais da família, da comunidade, do povo e da nação (…) Qualquer referência à vida hoje, no entanto, deve apontar para uma vida artificial, uma vida social” (p. 251-252)

- Spinoza: “Mais uma vez, é Spinoza quem mais claramente prevê essa natureza monstruosa da multidão, concebendo a vida como uma tapeçaria na qual as paixões singulares tecem uma capacidade incomum de transformação, do desejo ao amor e da carne ao corpo divino (…) Spinoza mostra-nos como podemos hoje, na pós-modernidade, reconhecer essas metamorfoses monstruosas da carne não só como um perigo, mas também como uma possibilidade, a possibilidade de criar uma sociedade alternativa” (p. 253)

- Produção do comum: “Vimos que a carne da multidão produz em comum de uma maneira que é monstruosa e sempre ultrapassa a medida de quaisquer corpos sociais tradicionais, mas essa carne produtiva não cria caos e desordem social. O que ela produz, na realidade, é comum, e o comum que compartilhamos serve de base para a produção futura, numa relação expansiva em espiral. (…) Hoje essa relação dual entre a produção e o comum – o comum é produzido e também é produtivo – é a chave para entender toda atividade social e econômica’ (p. 257)

- Comunidade: “A palavra comunidade frequentemente é usada para se referir a uma unidade moral que se posiciona acima da população e de suas interações, como um poder soberano. O comum não se refere a noções tradicionais da comunidade ou do público; baseia-se na comunicação entre singularidades e se manifesta através dos processos sociais colaborativos da produção. Enquanto o individual se dissolve na unidade da comunicação no comum, as singularidades não se vêem tolhidas, expressando-se livremente no comum” (p. 266)

Em suma, o comum assinala uma nova forma de soberania, uma soberania democrática (ou, mais precisamente, uma forma de organização social que desloca a soberania) na qual as singularidades sociais controlam através de sua própria atividade biopolítica aqueles bens e serviços que permitem a reprodução da própria multidão” (p. 268)

Escrito por danielavila

18 18UTC Março 18UTC 2009 em 18:50

Resumo: Hardt, M. & Negri, A. (2005). Multidão. Rio de Janeiro: Record.

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- Estado e propriedade: “Uma das tarefas fundamentais do Estado forte é a proteção da propriedade privada (…) toda propriedade privada sempre precisou de proteção policial, mas no paradigma da produção imaterial verifica-se uma expansão da propriedade imaterial, que é ainda mais volátil e incontrolável, apresentando novos problemas de segurança. À medida que se torna etérea, a propriedade tende a se esquivar ao controle de todos os mecanismos existentes de proteção, exigindo maior emprenho de proteção por parte da autoridade soberana (…) Os programas de computador e os bancos de dados, por exemplo, tornam-se vulneráveis à destruição e corrupção por causa da interligação generalizada dos sistemas de computador” (p. 233-234)

- Reprodução: “Um problema de segurança mais grave que a destruição ou corrupção de propriedade imaterial através das conexões é a reprodutibilidade, que não ameaça a propriedade em si, mas simplesmente destrói seu caráter privado (…) Naturalmente, a reprodução é muito diferente das formas tradicionais de roubo, pois a propriedade original não é tomada de seu proprietário; simplesmente passa a haver mais propriedade para alguém mais (…) O caso da Napster constitui um exemplo interessante porque coloca a questão da reprodução de uma forma social” (p. 234-235)

- Trabalho imaterial, propriedade e cooperação: “Existe com efeito uma relação necessária entre o fato de que o trabalho humano no terreno da produção imaterial cada vez mais produz diretamente formas de vida e de conhecimento que se tornam propriedade privada (…) Em todo este campo da produção imaterial, entretanto, o direito à propriedade é solapado pela mesma lógica que o sustenta, pois o trabalho que cria propriedade não pode ser identificado com qualquer indivíduo nem mesmo qualquer grupo de indivíduos. O trabalho imaterial torna-se cada vez mais uma atividade comum caracterizada pela cooperação contínua entre inúmeros produtores individuais (…) Este tipo de conhecimento sempre é produzido em colaboração e comunicação, através do trabalho em comum no interior de redes sociais expansivas e indefinidas (…) Segundo John Locke, o trabalho que cria propriedade privada é uma extensão do corpo, mas nos dias de hoje esse corpo é cada vez mais comum” (p. 243)

2.3 OS RASTROS DA MULTIDÃO

- Definição: “a carne produtiva comum da multidão adquiriu a forma do corpo político global do capital, dividido geograficamente por hierarquias de trabalho e riqueza e governado por uma estrutura multinivelada de poderes econômicos, jurídicos e políticos” (p. 247)

- Produção da subjetividade e Produção do comum: “Nossa tarefa agora consiste em investigar a possibilidade de que a carne produtiva da multidão venha se organizar de outra maneira e descobrir uma alternativa para o corpo político global do capital. Nosso ponto de partidas é o reconhecimento de que a produção de subjetividade e a produção do comum podem formar, juntas, uma relação simbiótica em forma de espiral. Em outras palavras, a subjetividade é produzida através da cooperação e da comunicação, e por sua vez esta subjetividade produzida vem a produzir novas formas de cooperação e comunicação, que por sua vez produzem nova subjetividade, e assim por diante.

- Corpo comum, corpo democrático – Espinosa (Ética II, prop 13, 1) “e no entanto essa multidão de multidões é capaz de agir em comum como um corpo único)

Escrito por danielavila

11 11UTC Março 11UTC 2009 em 20:29

Resumo: Daniel H. Cabrera – Lo tecnológico y lo imaginário (pt II)

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Parte três – As novas tecnologias como imaginário

Introdução

- Imaginário Radical ou primeiro: “a capacidade de dar-se o que não é, ou o que não é dado como tal, na percepção ou nos encadeamentos simbólicos do pensamento já constituído. É a capacidade de emergência de novas instituições e de novas maneiras de viver e, por isso, não é descobrimento, mas realização ou constituição ativa (…) O imaginário radical é incognoscível; só é possível aproximar-se enquanto condição de possibilidade e representação do já dado e representado” (p. 151) – Sociedade instituinte

- Imaginário Social ou segundo: coração criativo das significações sociais, “o imaginário efetivo, o mundo simbólico comum para uma sociedade. Nele se especifica a organização do que é e o que não é, do que vale e do que não vale e do que é factível e não o é para a sociedade em questão” (p. 151) – Sociedade instituída

- Dupla função do imaginário: fonte e resultado, capacidade de criação (surgimento, emergência, geração, não produção) e o criado (surgido, emergido, gerado, não produto, mas sim resultado)

- Núcleo imaginário da modernidade: sociedade em si mesma, progresso como esperança coletiva, técnica como fazer que materializa o lucro da sociedade e o avanço do progresso. “O choque destas significações com a realidade histórica do fracasso de algumas de suas instituições levou a sua redefinição, no século XX, em termos de ‘desenvolvimento’, ‘tecnologias’ e ‘comunicação’. De maneira que defendi que estamos ante a constituição de um imaginário tecnocomunicacional em relação com o qual se postula a ‘sociedade da informação’” (p. 152)

Cap 5 – As novas tecnologias

- Novas tecnologias – “nome que se destina a um conjunto de aparatos, práticas sociais e ‘novas realidades’ (empresas e aparatos neotecnológicos, instituições políticas, etc.) que ocupam um lugar central nas representações sociais do mundo, nas esperanças, os sonhos e os desejos da sociedade contemporânea. São, como se verá, um nome ambíguo que se invoca como constituinte central da ‘sociedade da informação’ e que, portanto, pode servir tanto para a sustentação da ordem como para a mudança da sociedade” (p. 154)

- Novas tecnologias como heterogeneidade externa: “uma ‘realidade’ formada por fragmentos de múltiplas materialidades unidas pela sociedade instituinte. Do imaginário, as ‘novas tecnologias’ parecem unidas e harmonizadas como materialidade coerente, pensável, visível e enunciável. O que se pense, veja ou diga desde elas, é esperado e ‘normal’, isto é, natural, óbvio e evidente” (p. 156)

§ Tecnologias de novos materiais (sintéticos, plásticos, ligas metálicas, silício, fibras óticas etc.)

§ Biotecnologia (genética, clonagem, transgênicos etc.)

- A maior parte deste objetos é parte dos discursos narrativos do cinema e televisão ”e, logo, objetos da vida diária; às vezes como parte das histórias contadas ao modo da ficção científica, outras como estimulação da imaginação através de publicidades, reportagens etc.” (p. 157) – Conjunto de discursos técnico-científicos e publicitários intrínsecos à produção, circulação e consumo dos aparelhos (livros, revistas, artigos, publicidades e eventos que se unem ao conjunto de aparelhos técnicos, práticas e saberes específicos: “os conteúdos destes discursos conformam um domínio materialmente extenso, cujos limites poderiam estabelecer-se pelas referências explícitas às ‘novas tecnologias’ como sujeito gramatical e objeto de conteúdo. Este domínio distribui os conhecimentos explícitos sobre as tecnologias segundo diferentes graus: desde os ‘especialista experts’ aos diferentes tipos de ‘usuários’” (p. 158-159)

- As novas tecnologias como heterogeneidade radical: “heterogêneas enquanto constituem uma instituição do imaginário social. Isto é, além da atividade consciente e planificada de instituição, encontram sua fonte no imaginário social desde o qual se entrelaça uma realidade econômico-funcional, institucional e simbólica” (p. 159) – heterogeneidade interna ou radical. “O histórico-social reconhece nesse conjunto determinado – ‘novas tecnologias’ – um horizonte determinável e indeterminado definido pela sociedade e na história. As ‘novas tecnologias’ existem como significações imaginárias sociais enquanto são, frente a tudo, possibilidade infinita de determinação outorgada pelo histórico-social.” (p. 160)

- Trata-se, contudo, de elaborar “novas conexões de sentido, relações diferentes dos indivíduos com o acontecimento histórico-social e da sociedade com o histórico-social que a atravessa. Uma relação entre indivíduo e o histórico-social que possa marcar a diferença entre a alienação e a autonomia, entre a manutenção de uma ordem social injusta e a mudança da sociedade” (p. 160)

- “As ‘novas tecnologias’, enquanto significações imaginárias sociais segundas, são socializadoras dos seres humanos e um pólo de identificação coletiva. Como pólo da identidade coletiva contemporânea constituem uma matriz de estruturação de representações sociais, de designação de finalidades da ação e de estabelecimento de afetos” (p. 160)

- Definição: “As ‘novas tecnologias’ são um conjunto heterogêneo de aparelhos, instituições e discursos que constituem o núcleo do imaginário tecnocomunicacional contemporâneo” (p. 161)

Escrito por danielavila

11 11UTC Março 11UTC 2009 em 18:56

Anotações sobre o Plano de Pesquisa “AS REDES SOCIAIS E A APRENDIZAGEM POR AFETOS”

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Política nas TIs

- E-gov: democracia virtual/sociedade em rede. Inclusão da comunidade escolar na sociedade da informação

- Comunicação e construção conjunta (processos de constituição e troca)

- Multidão (cf. Rheingold: Smart mobs) – Cooperação: adequação entre subjetividade e coletivo (cf. Tarde)

- Contradições:

§ Participação em caráter de consumidores ou usuários? (cf. Rheingold: Smart mobs) – os donos da informação não são mais os donos da organização da informação?

Ensino Formal X Ensino Não Formal

- Autonomia: “as novas tecnologias de informação e comunicação e aprendizagem relacionam-se mais com o desenvolvimento da arte de selecionar as buscas e tarefas consideradas importantes pelos usuários e não mais com as impostas pelo ensino formal (…) A autonomia no aprendizado diz respeito também ao modo como o usuário quer estudar determinado assunto a partir de suas próprias habilidades”. cf. Rui Canário. A escola tem futuro?: das promessas às incertezas. Porto Alegre, RS : Artmed, 2006; Rui Canário: Parar de transformar crianças e adolescentes em alunos http://www1.folha.uol.com.br/folha/sinapse/ult1063u504.shtml

- Segundo David Weinberger (2007, p. 106), essa liberdade de ação é criadora de um poder de criar e organizar conteúdos e saberes, segundo critérios próprios de classificação e ordem, o conhecimento que se encontra disponível na Internet

Afetos, Educação e Comunicação

- Produção de subjetividade: participação em sites/redes como forma de identificação pessoal – território virtual para composições afetivas reais (cf. Espinosa, Ética; Deleuze & Guattari, Mil Platôs; Guattari & Rolnik: Cartografias do desejo; Guattari: As 3 Ecologias)

- Rede Social:

§ Formação intelectual

§ Convivência social

§ Aprendizagem

“E o novo paradigma da rede passa a ser visto como redes, múltiplas, nas quais a expressão de subjetividade abre possibilidades e mediações para transformar a realidade social por meio de um processo comunicativo com conseqüências sociais (…) as relações criadas por meio da comunicação entre seus usuários e suas conseqüências sociais.”

- Reputação Social: Linkania (DIMANTAS, H.)