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Resumo de A abordagem qualitativa: a leitura no campo de pesquisa Denize Terezinha Teis e Mirtes Aparecida Teis

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• “A abordagem qualitativa tem se afirmado como promissora possibilidade de investigação em pesquisas realizadas na área da educação. Uma pesquisa com essa abordagem caracteriza-se pelo enfoque interpretativo. Desse modo, as técnicas de investigação não constituem o método de investigação” (p. 1)
o ERICKSON, F. Métodos cualitativos de investigación. In: WITTROCK, M. C.La investigación de la ensenanza, II. Barcelona- Buenos Aires-Mexico: Paidos, 1989, p. 195-299.

• A pesquisa qualitativa observa o fato no meio natural, por isso é tbm chamada de naturalística (p. 1).

o “Naturalística ou naturalista porque não envolve manipulação de variáveis, nem tratamento experimental; é o estudo do fenômeno em seu acontecer natural. Qualitativa porque se contrapõe ao esquema quantitativista de pesquisa (que divide a realidade em unidades passíveis de mensuração, estudando-as isoladamente), defendendo uma visão holística dos fenômenos, isto é, que leve em conta todos os componentes de uma situação em suas interações e influências recíprocas.” (p. 2)

• A etnografia tem como “premissas a observação das ações humanas e sua interpretação, a partir do ponto de vista das pessoas que praticam as ações. Trata-se de gerar dados aproximando-se da perspectiva que os participantes têm dos fatos, mesmo que não possam articulá-la. Para conseguir captar esse sentido, as ações do próprio pesquisador precisam ser analisadas da mesma forma como as ações das pessoas observadas. Assim sendo, todo processo é interpretativo” (p. 1)

• Fenomenologia: “Enquanto que para o positivismo a pressuposição da localização da verdade referente à sociedade reside no estudo de grandes contextos e de um número estatisticamente significativo de pessoas, numa perspectiva mais objetiva, a fenomenologia admite que é possível conhecer a sociedade a partir de contextos menores, a partir do estudo dos significados individuais possuindo um inegável componente subjetivo.” (p. 3)

• “A etnografia tem como principal preocupação o significado que têm as ações e os eventos para as pessoas ou os grupos estudados. É a tentativa de descrição da cultura. A tarefa do etnógrafo consiste na aproximação gradativa ao significado ou à compreensão dos participantes, isto é, de uma posição de estranho o etnógrafo vai chegando cada vez mais perto das formas de compreensão da realidade do grupo estudado, vai partilhando com eles os significados” (p. 3)

• Etnografia x Estudos de tipo etnográfico: “Segundo André (2005, p. 25), a etnografia é uma perspectiva de pesquisa tradicionalmente usada pelos antropólogos para estudar a cultura de um grupo social. Enquanto que o foco de interesse dos etnógrafos é a descrição da cultura de um grupo social, a preocupação dos estudiosos da educação é com o processo educativo. Existe, pois, uma diferença de enfoque nessas duas áreas, o que faz com que certos requisitos da etnografia não sejam cumpridos pelos investigadores das questões educacionais. Requisitos sugeridos como, por exemplo, uma longa permanência do pesquisador em campo, o contato com outras culturas e o uso de amplas categorias sociais na análise de dados são adequados para estudos antropológicos, mas não necessariamente para a área de educação. Desse modo, o que se tem feito, de fato, é uma adaptação da etnografia à educação, o que é denominado, segundo André (2005, p. 27) como estudos do tipo etnográfico e não etnografia no seu sentido estrito.” (p. 4)
o ANDRÉ, M. E. D. A. Estudo de caso em Pesquisa e Avaliação Educacional. Brasília: Líber Livro, 2005.

• Observação participante: “Segundo Erickson (2001), o trabalho etnográfico envolve a observação e participação de longo prazo em um cenário que está sendo estudado, a fim de o pesquisador familiarizar-se com os padrões rotineiros da ação e interpretação que correspondem ao universo cotidiano local dos participantes. Conseqüentemente, o pesquisador aproxima-se do sistema de representação, classificação e organização do universo estudado. Nesse método de pesquisa a preocupação do pesquisador é com o significado, com a maneira própria com que as pessoas vêem a si mesmas, as suas experiências e o mundo que as cerca. O etnógrafo tem como meios principais de coleta de dados a observação e os questionamentos. Esses, realizados por meio de entrevistas ou questionários são necessários para confirmar as ações aparentes das pessoas a partir da observação que, por sua vez, é chamada de participante porque se admite que o pesquisador tem sempre um grau de interação com a situação estudada, afetando-a e sendo por ela afetado.” (p. 4)
o ERICKSON, F. Prefácio. In: COX, M. I. P.; ASSIS-PETERSON, A. A. de (orgs). Cenas de sala de aula. Campinas: Mercado de Letras, 2001.

• Atores: “Erickson (1989), além disso, argumenta que a ênfase ao significado local é essencial para a definição de etnografia que procura caracterizar o sentido do ponto de vista dos atores, dos participantes, daqueles que estão sendo pesquisados” (p. 4)

• Contexto escolar: “No contexto escolar esse tipo de pesquisa permite que se chegue bem perto da escola para tentar entender como operam os mecanismos de dominação e resistência no seu dia-a-dia, os mecanismos de opressão e de contestação, ao mesmo tempo em que são vinculados e reelaborados conhecimentos, atitudes, valores, crenças, modos de ver e de sentir a realidade e o mundo. Por isso, mergulhar na realidade cotidiana é uma condição para que se possa compreender o que se passa na escola. É no cotidiano que a escola se revela como um espaço de confrontos e interesses entre um sistema oficial que distribui funções, determina modelos, define hierarquias, e outro, o dos sujeitos – alunos, professores, funcionários – que não são apenas agentes passivos diante da estrutura. Em seu fazer cotidiano, esses sujeitos, por meio de uma complexa trama de relações que inclui alianças e conflitos, transgressões e acordos, fazem da escola um processo permanente de construção social” (p. 5)

• Reflexividade: “De acordo com o princípio da reflexividade, o pesquisador precisa estar em constante processo de reflexão a respeito do seu lugar e do lugar social dos seus participantes. Identificar a sua posição ontológica diante das questões em análise na comunidade e salas de aula investigadas é de fundamental importância para apresentar os fatos, segundo o ponto de vista dos participantes (…). Ao iniciar uma pesquisa, o pesquisador traz para a experiência certos esquemas de interpretação. Dessa forma, sua tarefa consiste em tomar cada vez mais consciência acerca dos esquemas de interpretação das pessoas observadas e acerca de seus próprios marcos de interpretação culturalmente aprendidos, que ele levou ao campo. O investigador deve ultrapassar seus métodos e valores, admitindo outras lógicas de entender, conceber e recriar o mundo, pois como lembra Erickson (1989), o estudo etnográfico deve se orientar para a apreensão e descrição dos significados culturais dos sujeitos. Para frear, em alguma medida, a intuição irrefletida, é necessário estabelecer uma relação constante e dinâmica entre as perguntas de pesquisa e o trabalho de campo” (p. 5)

• Estranhamento: “ um esforço sistemático de análise de uma situação familiar como se fosse estranho. Trata-se de saber lidar com percepções e opiniões já formadas, reconstruindo-as em novas bases, levando em conta, sim, as experiências pessoais, mas filtrando-as com apoio do referencial teórico e de procedimentos metodológicos específicos, como, por exemplo, a triangulação. Ou seja, além de utilizar a observação em campo, realizada através da elaboração de notas que vão levar à possível construção de diários, pode-se fazer uso de entrevistas, questionários, gravações em áudio e vídeo, etc., sempre na tentativa de triangular os dados para a análise. Além disso, o pesquisador pode buscar, ainda, uma diversidade de sujeitos e diferentes perspectivas de interpretação de dados. Esses cuidados metodológicos e um forte apoio do referencial teórico podem ajudar a manter o distanciamento, diminuindo os problemas apontados (ANDRÉ, 1995). O estranhamento possibilita ao pesquisador identificar e descrever fatos que estavam invisíveis, inclusive para ele. Esse desvelamento, como afirma Cavalcanti (1999), pode inclusive levar o pesquisador a se deparar com questões de sua própria identidade social que pode resultar em conflitos que precisam ser enfrentados para conseguir avançar no trabalho e mostrar a visão êmica dos participantes. Pesquisas como a de Spindler (1982) em contexto de sala de aula americana e de Pereira (1999) e Jung (1997) em contexto de sala de aula brasileira podem ilustrar o princípio do estranhamento.” (p. 6)
o PEREIRA, M. C. Naquela comunidade rural, os adultos falam “alemão” e “brasileiro”. Na escola, as crianças aprendem o português: um estudo do continuum oral/escrito em crianças de uma classe bisseriada. Tese de doutorado. Campinas: ed. Unicamp, 1999.
o SPINDLER, George. Doing the Ethonography of Schooling. Waveland/USA: Press. Inc, 1982.
o JUNG, Neiva Maria. Eventos de letramento em uma escola multisseriada de uma comunidade rural bilíngüe (português/alemão). Dissertação de Mestrado. IEL/UNICAMP, 1997.

• Escola x Cultura: “Spindler (1982, p. 23), relata seu estranhamento em sala de aula ao afirmar que: Tornar o estranho familiar não era o problema em fazer etnografia em escolas nos U. S. A. Quando eu [George Spindler] comecei o trabalho de campo em 1950 em West Coast, em uma escola elementar, o que eu observava era de fato muito estranho uma vez que era um espelho de minha própria cultura estranhada, eu não podia vê-la a princípio […] mas, eventualmente, eu comecei a ver os professores e os alunos como “nativos” engajados em rituais, interpretações, ocupando papéis, envolvidos em pequenas percepções seletivas, em conflitos culturais, em redes sociométricas […]. Eu comecei uma transição cultural do familiar para o estranho e de volta para o familiar.” (p. 6)

• Instrumentos de coleta: “Conforme André (1995), em uma pesquisa de metodologia etnográfica, o pesquisador é o instrumento principal na coleta e na análise de dados, o que permite que ele responda ativamente às circunstâncias que o cercam, modificando técnicas de coleta, se necessário, revendo as questões que orientam a pesquisa, localizando novos sujeitos, revendo toda a metodologia ainda durante o desenrolar do trabalho. A pesquisa etnográfica permite, assim, um plano de trabalho aberto e flexível, em que os focos de investigação vão sendo constantemente revistos, as técnicas de coleta, reavaliadas, os instrumentos, reformulados e os fundamentos teóricos, repensados.” (p. 7)
o ANDRÉ, M. E. D. A. Etnografia da prática escolar. Campinas: Papirus, 1995.

http://www.bocc.ubi.pt/pag/teis-denize-abordagem-qualitativa.pdf

Written by danielavila

3 de junho de 2009 at 20:12

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