Daniel Avila

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Resumo: Hardt, M. & Negri, A. (2005). Multidão. Rio de Janeiro: Record (Pt. II)

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- Potência da multidão: “A carne da multidão é puro potencial, uma força informe de vida, e neste sentido um elemento do ser social, constantemente voltado para a plenitude da vida” (p. 251)

- Monstruosidade: Hardt e Negri deixam claro que esta carne da multidão, em sua potência indefinida, tornou-se alvo, ao longo da passagem do modernismo ao pós-modernismo, de um processo de monstrificação. “O informe e o desordenado são assustadores. A monstruosidade da carne não é um retorno ao estado natural, mas um resultado da sociedade, uma vida artificial. Na época anterior, os corpos sociais modernos e a ordem social moderna preservavam, pelo menos ideologicamente, apesar da constante inovação, um caráter natural – por exemplo, as identidade naturais da família, da comunidade, do povo e da nação (…) Qualquer referência à vida hoje, no entanto, deve apontar para uma vida artificial, uma vida social” (p. 251-252)

- Spinoza: “Mais uma vez, é Spinoza quem mais claramente prevê essa natureza monstruosa da multidão, concebendo a vida como uma tapeçaria na qual as paixões singulares tecem uma capacidade incomum de transformação, do desejo ao amor e da carne ao corpo divino (…) Spinoza mostra-nos como podemos hoje, na pós-modernidade, reconhecer essas metamorfoses monstruosas da carne não só como um perigo, mas também como uma possibilidade, a possibilidade de criar uma sociedade alternativa” (p. 253)

- Produção do comum: “Vimos que a carne da multidão produz em comum de uma maneira que é monstruosa e sempre ultrapassa a medida de quaisquer corpos sociais tradicionais, mas essa carne produtiva não cria caos e desordem social. O que ela produz, na realidade, é comum, e o comum que compartilhamos serve de base para a produção futura, numa relação expansiva em espiral. (…) Hoje essa relação dual entre a produção e o comum – o comum é produzido e também é produtivo – é a chave para entender toda atividade social e econômica’ (p. 257)

- Comunidade: “A palavra comunidade frequentemente é usada para se referir a uma unidade moral que se posiciona acima da população e de suas interações, como um poder soberano. O comum não se refere a noções tradicionais da comunidade ou do público; baseia-se na comunicação entre singularidades e se manifesta através dos processos sociais colaborativos da produção. Enquanto o individual se dissolve na unidade da comunicação no comum, as singularidades não se vêem tolhidas, expressando-se livremente no comum” (p. 266)

Em suma, o comum assinala uma nova forma de soberania, uma soberania democrática (ou, mais precisamente, uma forma de organização social que desloca a soberania) na qual as singularidades sociais controlam através de sua própria atividade biopolítica aqueles bens e serviços que permitem a reprodução da própria multidão” (p. 268)

Escrito por danielavila

18 18UTC Março 18UTC 2009 às 18:50

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